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março.2016

A verticalização do conteúdo audiovisual

A forma de repensar o mundo, tão conectada ao novo século, atinge em cheio a comunicação, assim como sempre foi ao longo da história. Hoje, vemos o conceito do Mobile First sendo considerado como uma verdade inquestionável, e as marcas já se apropriaram dessa verdade, assim como as plataformas, que contam com segmentação e métricas cada vez mais fiéis e aprofundadas para esse tipo de acesso. A ideia é simples: direcionar os projetos para que sejam pensados primeiramente para o mobile, e, só então viria o plano para o desktop. Os aparelhos celulares estão à frente, no pensamento, na relevância e sobretudo na experiência do usuário. É uma realidade que só tende a aumentar, dado as melhorias tanto no acesso à internet, quanto à qualidade dos smartphones. Para reforçar a inquestionável relevância e empatia do usuário quanto ao uso de celulares, podemos citar o exemplo do Paypal. A plataforma de pagamentos, que recebia há 3 anos atrás, em torno de 10 milhões em pagamentos via celular, recebe hoje, através do mesmo meio, mais de 36 bilhões. Os vídeos precisaram ser revistos, considerando a predominância da posição vertical dos mobiles. O conteúdo precisaria encontrar uma forma de se adaptar ao que a maioria acredita.

Mesmo as áreas que sempre tiveram forte apelo tradicional, como o cinema, foram afetadas pelo boom do mobile. O audiovisual tende a se adaptar cada vez mais aos celulares, já que os acessos através desse meio crescem de maneira progressiva, principalmente nos últimos 3 anos. O próprio design do mobile, sendo na vertical, ao contrário da TV e das telas de cinema, é um primeiro indicativo de mudança na maneira de relacionar entre o público e o conteúdo em vídeo. Os vídeos acompanharam a tendência, e tem sido cada vez mais produzidos no formato vertical, rompendo uma tradição imposta pelo cinema, dos filmes em formato horizontal.

Alguns aplicativos de vídeos, como o snapchat e o periscope contribuem para a popularização da verticalização dos vídeos, e existem inclusive maneiras de adaptar um vídeo originalmente horizontal à posição vertical, através do uso de aplicativos editores de vídeo, como o horizon, que tem uma aceitação muito grande, e o que ele faz é justamente apelar pela estética do cinema, retirando as bordas pretas do vídeos, deixando ele ajustado ao formato vertical. Diante disso, filmar na vertical está entre as tendências que englobam não só conhecimentos cinematográficos, mas sim tecnológica. No seu próximo storytelling, vale a tentativa, já que, segundo o Youtube, o upload de vídeos em formato vertical cresceu em 50% no ano passado, e esse ano crescerá ainda mais ainda. Ou seja, já é uma tendência que continuará por um tempo. Só o periscope, contou, no ano passado, com mais de 10 milhões de usuários assistindo vídeos na horizontal, informou o Twitter. Apesar de a plataforma ter interesse em tornar o processo mais horizontalizado, essa ainda não é a realidade.

Em relação à linguagem do vídeo, o formato vertical valoriza a ação mais do que o cenário, já que elimina as bordas oferecidas pelo formato oposto. Focar na ação, simboliza uma abordagem que questiona não só a posição do vídeo em si, mas também a maneira de o público ver o vídeo. O que ele realmente presta atenção, o que busca e o que valoriza. A linguagem selfie, que nos últimos anos se popularizou, é um retrato do foco na ação e eliminação do espaço de cena. Os selfie vídeos, como no snapchat, por exemplo, além do formato verticalizado, entregam a tendência da exposição do conteúdo.

Essa realidade deve ser considerada pelos marketing das empresas, visando uma fidelização e empatia por parte do público-alvo.

Mas futuro do vídeo não está atrelado somente à questão do vertical ou horizontal, mas sim à praticidade. Quanto mais adaptado estiver o conteúdo da empresa, mais atingirá a segmentação desejada. Questionar os modos tradicionais de usabilidade e exibição é só mais um ponto que reforça o valor da experiência.

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